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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Indústria Brasileira cresce novamente

Nível de atividade da indústria no Brasil se expandiu no mês de outubro
No meio de uma nova crise das grandes economias, o Brasil vem demonstrando força no setor industrial, mesmo após decréscimo de 0,4% registrado entre agosto e setembro (dado revisado), o nível de atividade na indústria registrou aumento em outubro. A atividade paulista no mês, com o Indicador do Nível de Atividade (INA), elaborado pela Fiesp/Ciesp e divulgado nesta terça-feira (30), avançou 0,5% na comparação com setembro (séries com ajuste sazonal).
Entre as variáveis que compõem o índice, o total de salários reais e a média dos salários reais (com crescimento de 2,5% e 2,4%, respectivamente) puxaram para cima o resultado do INA de outubro. Por outro lado, o total de vendas reais (-0,5%) foi a única variável computada pelo índice que registrou recuo mensal.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria paulista, por sua vez, fechou outubro em 82,8%, expansão ante o valor de 82,2% apurado em setembro e o nível de 81,3% contabilizado em outubro de 2009.
Na série sem ajuste sazonal, o INA permaneceu praticamente estável em relação a setembro (recuo de 0,1%). Mesmo assim, o período de janeiro a outubro acumula alta de 11,0% sobre o mesmo período do ano passado. A Fiesp/Ciesp acredita que o INA encerrará 2010 com um crescimento próximo a 10,0%.

Expectativa
A pesquisa Sensor, que aponta a perspectiva dos empresários em relação ao cenário econômico do mês corrente, mostra que a atividade paulista persiste em processo de crescimento, porém com menor ímpeto.
O Sensor geral passou de 52,6 para 51,4 pontos na passagem de outubro para novembro. Os itens mercado e vendas sofreram queda no período (ao passarem de 52,1 para 46,7 pontos e de 51,8 para 48,3 pontos, respectivamente).
Os demais itens que compõem o Sensor Geral ficaram estáveis no período em análise, mas em níveis positivos (acima de 50,0 pontos). Exceção feita aos estoques (que fecharam em 45,0 pontos) cuja metodologia explicita que valores abaixo de 50,0 pontos significam nível abaixo do planejado.

Governo Federal anuncia prorrogação da redução do IPI sobre setor de materiais de construção
O Governo Federal confirmou nesta segunda-feira (29) a prorrogação da redução do IPI para materiais de construção até o fim de 2011. O anúncio foi feito pelo Ministro da Fazenda Guido Mantega, na sede da Fiesp/Ciesp, em almoço com empresários do setor.
Assim, estende-se por mais um ano a medida, que orginalmente teria validade até o dia 31 de dezembro de 2010. Com essa prorrogação, os setores relacionados à construção civil projetam continuidade no crescimento de suas vendas em 2011, já que, de acordo com a Abramat (Associação Brasileira de Materiais de Construção) crescerão 19,78% em 2010.
A própria Associação considera que a redução do IPI e a expansão do crédito imobiliário foram fundamentais para tal expansão, que colabora com o forte crescimento do emprego em todo o setor de construção, concomitantemente com aumento do PIB no setor.

Expectativas em queda reduzem a confiança da indústria em 1,1%
Foi divulgada nesta terça-feira (30) pela FGV a Sondagem Industrial relativa a novembro de 2010. O documento mostrou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou de 114,0 pontos em outubro para 112,7 pontos neste mês (série com ajuste sazonal), o que representa um declínio de 1,1%. Porém, na comparação anual, o ICI continua em terreno positivo, ao registrar crescimento de 2,9%, ainda que em um patamar inferior à variação de 6,3% contabilizada em outubro.
O ICI é composto por dois indicadores e ambos declinaram na passagem de outubro para novembro. O Índice de Situação Atual (ISA) apresentou recuo de 0,3% no período (de 115,1 para 114,7 pontos), mas o destaque negativo ficou por conta da queda de 1,9% no Índice de Expectativas (IE), que passou de 112,9 pontos há um mês para 110,7 agora.
A pesquisa ainda mostrou que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria nacional no mês de novembro foi de 84,5% na série com ajuste sazonal. O resultado é 0,3 ponto percentual superior aos 84,2% de outubro e 1,6 ponto percentual superior aos 82,9% de novembro de 2009.
Vale notar que, de acordo com a metodologia da pesquisa, o patamar de 100 pontos indica o equilíbrio, enquanto valores acima representam otimismo e valores inferiores refletem pessimismo.

Inadimplência das empresas recua 3,4% em um mês
De acordo com divulgação da Serasa Experian desta terça-feira (30), o Indicador de Inadimplência das Empresas recuou 3,4% na passagem de setembro a outubro de 2010. Esta foi a maior queda mensal desde o início da série, em 2000. O resultado do acumulado do ano até outubro indicou melhora da inadimplência em 6,2%.
Na decomposição do índice, a inadimplência com os bancos se reduziu 2,5% entre outubro e o mês anterior. Os títulos protestados recuaram 4,7% e, os cheques sem fundo, 2,5%.
Na abertura por porte, as grandes empresas foram o destaque, com recuo de 13,6% na inadimplência mensal, enquanto as médias apresentaram recuo de 3,4% e, as pequenas, de 3,1%.

Economia Brasileira
fonte: Macro Visão Fiesp/Ciesp - SP, 02/12/2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lula é do Povo

Lula diz que não o derrubaram, porque era a encarnação do povo na rua
O presidente Lula visitou as obras da Hidrelétrica de Estreito, no Maranhão. A usina, uma obra do PAC que criou 22 mil empregos no pico das obras, está com 92,5% das obras realizadas e prevê entrar em operação em abril de 2011. A dato de hoje foi marcada pelo início do enchimento do lago.
A usina contará com potência instalada de 1.087 MW e 641,8 MW médios de energia, para o desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste, conforme disse no discurso:
"... Nós não queremos tirar nada do Sudeste, nós queremos que São Paulo continue crescendo, que o Rio de Janeiro continue crescendo, que o Sul continue crescendo, mas nós achamos que o século XXI é a vez do Nordeste e do Norte deste país começar a crescer".
Durante a visita, o Presidente lembrou o papel da presidenta eleita, Dilma Rousseff:
"... É importante que a gente saia daqui convencido de que essa obra só foi possível ser feita por causa de uma mulher chamada Dilma Rousseff, que mudou o marco regulatório da questão energética do país. Tudo o que eu espero é que ela faça mais e melhor do que eu fiz, porque ela me ajudou a construir o que eu construir, ela sabe como fazer e ela conhece o País como pouca gente conhece."
E lembrou ser preciso que os moradores que vivem na região e dependem da agricultura possam continuar trabalhando e tirando sua riqueza do solo: “Uma hidrelétrica tem de trazer beneficio para todos, mas, sobretudo, atender àqueles que estavam aqui antes da hidrelétrica chegar”.

Não é o Lula que está na Presidência. É a classe trabalhadora brasileira.
O Presidente fez uma pequena retrospectiva de seu governo. Fez um paralelo com outros presidentes, como Getúlio Vargas, que se suicidou, e João Goulart, que foi derrubado pelo golpe militar em 1964, ao lembrar da crise política que enfrentou em 2005, diante das denúncias do dito "mensalão":
“Pensei: O que vão fazer comigo”, indagou. “Eles tentaram em 2005, mas não sabiam que esse presidente era a encarnação do povo na rua. Esse país teve presidente que se matou, que foi cassado. Conversei com [José] Sarney na época. E disse que eles vão saber que não é o Lula que está na Presidência. É a classe trabalhadora brasileira”, completou.
Lula disse que deixará a Presidência “com a cabeça tão erguida ou mais erguida” do que subiu. “Duvido que tenha presidente que tenha tido relação tão republicana como eu tive com governadores e prefeitos. Nunca perguntei a que partido pertenciam. Se tinham direitos, a gente repassava as coisas que tinha de repassar”.

fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com e Agência Brasil.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Coletivo LGBTT em Bauru

SUBSEDE LANÇA COLETIVO LGBTT
"Atuação sindical com recorte LGBTT é principal meta"

Às dezenove horas da última sexta-feira (19), dirigentes sindicais, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Associação Bauru pela Diversidade (ABD) lançaram o Coletivo Regional de Trabalhadores LGBTT.
Marcos Freire, do Coletivo Estadual, participou da Plenária e falou dos desafios enfrentados para a consolidação dos Coletivos. "A dificuldade de construir este coletivo está presente em todo o Estado. São iniciativas como esta que impulsionam o crescimento do grupo e do debate e dão visibilidade à esta pauta dentro e fora da nossa Central", avaliou Freire. O CUTista falou ainda de desafios a serem enfrentados pelo novo Coletivo como a luta pela aprovação do PL 122 que propõe a criminalização da homofobia e a superação de uma realidade em que dezenas de direitos constitucionais são negadas aos homossexuais.
Bem humorado, o Coordenador da Subsede da CUT, companheiro Chicão, brincou com os "Marquinhos" presentes na mesa. Eram três. Marcos Rodrigues Alves, dirigente do Sinergia/CUT que coordenará o Coletivo Regional, Marcos de Souza, representante da ABD e Marcos Freire, do Coletivo Estadual. "Não corro risco de esquecer nomes. Basta dizer Marquinhos", brincou o sindicalista. Além dos "Marquinhos", participaram da Mesa o advogado e coordenador da Comissão de Direito Humanos da OAB local, Gilberto Truijo e o Professor da UNESP e membro da ABD, João Winck. Brincadeiras aparte, Chicão falou da importância da Plenária para a CUT na região de Bauru. "Temos muita satisfação de fazer parte do nascimento deste Coletivo. Já tentamos em outras ocasiões e não obtivemos sucesso, mas acredito que este seja o momento. No que depender da coordenação da CUT, este espaço se fortalecerá para inserir a pauta LGBT no dia-a-dia dos sindicatos, dos dirigentes e da sociedade", concluiu.

ABD E OAB PARTICIPARÃO
Grandes impulsionadores da visibilidade LGBTT na cidade de Bauru e organizadores da Parada local, os representantes da Associação Bauru pela Diversidade afirmaram total apoio e participação efetiva no Coletivo. "Os problemas dos homossexuais no mercado de trabalho é muito semelhante àqueles enfrentados por outros grupos vulneráreis à discriminação e ao preconceito, como mulheres e negros, por exemplo. Neste sentido, os sindicatos nada ou pouco fazem para representar companheiros e companheiras vítimas desse tipo de preconceito. Precisamos fazer a nossa parte para o fim da homofobia, machismo, racismo e toda forma de discriminação, presentes em todos os espaços, inclusive nos sindicatos brasileiros", avaliou João Winck.
O Coletivo recebeu o apoio da OAB, que se propôs a participar ativamente das reuniões e atividades do grupo. "A Comissão de Direitos Humanos sempre teve a CUT como uma grande parceira aqui em Bauru. Esta parceria será ainda mais fortalecida a partir de nossa participação efetiva no Coletivo", afirmou Gilberto Truijo.
Já o Marquinhos da ABD avaliou a chegada do Coletivo como uma oportunidade de qualificar a pauta LGBTT sob a ótica do mercado de trabalho. "A ABD tem cumprido seu papel de dar visibilidade e diminuir o preconceito e a discriminação na sociedade, mas é preciso ter dirigentes sindicais afinados com o tema para enfrentarmos juntos os problemas presentes nos locais de trabalho.

DESAFIOS
Para o coordenador do coletivo regional, Marcos Rodrigues alves, o desafio será ampliar o grupo e trazer o movimento social. "Temos muito trabalho pela frente. Homofobia, direitos iguais e empregabilidade dos trabalhadores LGBT são temas difíceis de inserir na sociedade. Precisamos ampliar o grupo e fortalecer nossa pauta", propôs Marquinhos. Após várias intervenções do Plenário, composto por lideranças locais e membros do Coletivo Estadual, foi deliberada a realização da primeira reunião do Coletivo no dia 06 de dezembro. Neste primeiro encontro o Coletivo deverá definar uma agenda observando a realização de um ciclo de debates com objetivo de discutir com dirigentes e trabalhadores a necessidade dos recortes LGBT, gênero, raça e demais grupos vulneráveis na ação sindical.

domingo, 28 de novembro de 2010

Tortura nunca mais

Acusado de torturar Dilma leva vida tranquila no Guarujá
Militar aposentado falou ao iG; ele está entre alvos do MPF por participação na morte de 6 pessoas e na tortura a outras 20
Acusado pelo Ministério Público Federal de participar da morte de seis presos políticos e torturar outras 20 pessoas, entre elas a presidenta eleita Dilma Rousseff, o tenente-coronel reformado do Exército Maurício Lopes Lima descreve a violência nos porões da ditadura como algo “corriqueiro”. Na mesma semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o torturador de sua sucessora hoje deve estar se torturando, a reportagem do iG encontrou o militar levando uma vida calma na praia das Astúrias, no Guarujá. Hoje aposentado, ele fala tranquilamente sobre os acontecimentos relatados em 39 documentos que serviram de base para a ação civil pública ajuizada na 4ª Vara Cível contra ele. Questionado sobre o uso da tortura nos interrogatórios, comentou: “Era a coisa mais corriqueira que tinha”, afirmou. Embora negue ter torturado Dilma, ele admite que teve contato com a presidenta eleita. Diz que na época não podia sequer imaginar que a veria na Presidência. “Se soubesse naquela época que ela seria presidenta teria pedido: ‘Anota meu nome aí. Eu sou bonzinho’”, afirma. A ação aberta contra Lima e os demais acusados – dois ex-militares e um ex-policial civil - se refere ao período entre 1969 e 1970, quando Lima e outros três acusados integraram a equipe da Operação Bandeirante e do DOI-Codi, ambos protagonistas da repressão política durante a ditadura militar (1964-1985). Entre os documentos, está um depoimento de Dilma à Justiça Militar, em 1970, no qual ela pede a impugnação de Lima como testemunha de acusação, alegando que o então capitão do Exército era torturador e, portanto, não poderia testemunhar. “Pelos nomes conhece apenas a testemunha Maurício Lopes Lima, sendo que não pode ser considerada a testemunha como tal, visto que ele foi um dos torturadores da Operação Bandeirante", diz o depoimento de Dilma. Na época com 22 anos, a hoje presidenta eleita foi presa por integrar a organização de esquerda VAR-Palmares. No mesmo depoimento Dilma acusa dois homens da equipe de Lima de ameaçá-la de novas torturas quando ela já havia sido transferida para o presídio Tiradentes. Ela teria questionado se eles tinham autorização judicial para estarem ali e recebido a seguinte resposta: “Você vai ver o que é juiz lá na Operação Bandeirante”.
Outros depoimentos deixam mais evidente a ação do militar, como o do frade dominicano Tito de Alencar Lima, o Frei Tito, descreve em detalhes como foi colocado no pau-de-arara e torturado por uma equipe de seis homens liderados por Lima. “O capitão Maurício veio buscar-me em companhia de dois policiais e disse-me: ‘Você agora vai conhecer a sucursal do inferno’”, diz um trecho do depoimento, no qual ele diz ter recebido choques elétricos e “telefones” (tapas na orelha), entre outras agressões.
O então capitão do Exército é acusado também de ter participado da morte de Vírgilio Gomes da Silva, o "Jonas" da ALN, outra organização de esquerda que defendia a luta armada. Líder do sequestro do embaixador dos EUA Charles Elbrick, Virgílio foi assassinado no DOI-Codi, conforme admitiu oficialmente o Exército em 2009. Lima nega todas as acusações. Leia abaixo trechos da entrevista concedida por Lima ao iG:

iG - Como era chegar em casa e pensar que uma moça como a Dilma, de vinte e poucos anos, havia sido torturada?
Lima - Nunca comentei isso com ninguém, mas desenvolvi um processo interessante. Eu não voltava mais para casa, pois achava que podia morrer a qualquer momento. Me isolei dos amigos e das pessoas que gostava. O quanto mais pudesse ficar longe melhor. Era uma fuga.

iG - O senhor fugia do que?
Lima - De uma realidade. Eu sabia que ia morrer. Minha mulher estudava história na USP. Ela soube por terceiros que eu estava no DOI-Codi. As colegas dela todas presas.

iG - Então não era a tortura que o incomodava?
Lima - É como um curso na selva. No primeiro dia você vê cobras em todo canto. No terceiro dia você toma cuidado. Depois do décimo dia passa um cobra na sua frente e você chuta. É adaptação.

iG - Se tornou uma coisa banal?
Lima - Sim.

iG - E hoje em dia o que o senhor pensa daquilo?
Lima - Penso que só é torturado quem quer. Agi certo. Arrisquei minha vida. Não tive medo. Não tremi, não. E não torturei ninguém. Pertenci a uma organização triste, sim. O DOI-Codi, a Operação Bandeirante eram grupos tristes.

iG - O senhor está pesquisando no projeto Brasil Nunca Mais para preparar sua defesa?
Lima - Sim. Primeiro porque não sei quem falou. Uns me citam, outros "ouvi dizer".

iG - O MPF cita sua participação em torturas contra 16 pessoas.
Lima - É. Outro que me deixa fulo da vida é o Diógenes Câmara Arruda (ex-dirigente do PCB preso na mesma época que Dilma). Ele faz a minha ligação como torturador dele e o CCC (Comando de Caça aos Comunistas, grupo de extrema direita que atuou nas décadas de 60 e 70). Eu tinha uma bronca desgraçada do CCC. Me referia a eles como "aqueles moleques chutadores de porta de garagem". É o que eles eram. Nunca tive nada com o CCC.

iG - O senhor também é acusado de participar da morte do Virgílio Gomes da Silva (o "Jonas" da ALN, morto no DOI-Codi em 29 de setembro de 1969).
Lima - Me acusam de ter matado o Virgílio e de ter torturado o filhinho dele (então com quatro meses de idade). Eu não estava lá e demonstro para quem quiser ver (se levanta e pega um livro do Exército com os registros de todas suas mudanças e transferência ao longo da carreira). Isso são minhas folhas de alterações militares. Pode olhar aí. Fui transferido para a Operação Bandeirante no dia 3 de outubro. O Virgílio foi morto no dia 29 de setembro.

iG - Não havia entre os militares a questão moral de que a tortura desrespeita os direitos humanos?
Lima - A tortura diz respeito a direitos humanos e o terrorismo também.

iG - Um erro justifica o outro?
Lima - Estão ligados. Tortura no Brasil era a coisa mais corriqueira que tinha. Toda delegacia tinha seu pau-de-arara. Dizer que não houve tortura é mentira, mas dizer que todo delegado torturava também é mentira. Dependia da índole. As acusações não podem ser jogadas ao léu. Têm que ser específicas. Eu sei quem torturava e não era só no DOI-Codi, era no Dops também. Mas eu saber não quer dizer que eu possa impedir e nem que eu torturasse também. A tortura é válida para trocar tempo por ação.

iG - Quem torturava?
Lima - O maior de todos eles já morreu e não dá para falar dos mortos.

iG - Alguma vez o senhor contestou a prática de tortura no DOI-Codi?
Lima - Não porque existia um responsável maior, o comandante do DOI-Codi. Eu fiz a minha parte. Se eu fosse mandado torturar, não torturaria. Outros não. O Fleury (delegado Sérgio Paranhos Fleury), por exemplo, até dava um sorriso.

fonte: ig.com.br

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Eleições 2012

Se der para complicar para que facilitar
quarta-feira, 24 de novembro de 2010 15:30
Partidos políticos que estiveram coligados em torno da candidatura de Rodrigo Agostinho (PMDB) em 2008 decidiram dificultar as coisas para o prefeito e seus mentores “invisíveis”.
Enquanto se apostava que partiria do grupo a iniciativa de rompimento com o governo municipal a vice prefeita Estela Almagro (PT) veio a público para anunciar que o bloco dos “cinco” fica, e mais, está disposto a resgatar os compromissos assumidos por ela e pelo prefeito durante a Campanha eleitoral e inscritos no documento “Carta de Bauru” da qual PT, PC do B, PSB , PR e PMDB são signatários.
A avaliação foi de que o bloco deve continuar no governo, física e espiritualmente, cobrando autonomia do prefeito na gestão do projeto político idealizado para ter vida longa, pelo coletivo da coligação.
Com isso dificulta-se as articulações políticas que vêm sendo arquitetadas à “mesa pequena” nos bastidores políticos da cidade e que visam a reeleição do prefeito Rodrigo Agostinho em 2012, sem a participação de alguns protagonistas da coligação de nome sugestivo: “Bauru de Todos”, que elevou Rodrigo em 2008 à condição de prefeito do município.
Não se sabe se o prefeito, ou melhor, seus mentores políticos “invisíveis” vão aceitar os termos do acordo tirado durante o Encontro. Mas daí, raciocinam os pensantes do bloco, o problema já não será mais dos partidos e sim do Palácio das Cerejeiras, que terá que escolher entre a harmonia e uma crise política sem fim e sem precedentes que não se sabe onde vai dar .
Enfim, lideres do bloco esperam prudência ou então coragem do prefeito nesses últimos dois anos de governo
Maria Dalva, colunista 94 fm Bauru

fonte: http://www.94fm.com.br/colunistas_internas.asp?nomeColunista=Maria%20Dalva&idColunista=3&id=848

Rio vive “agora ou nunca”

Para ex-Bope, UPP funciona e Rio vive “agora ou nunca”
O Bope comandou operações em favelas como reação à onda de violência que começou no último domingo (21. O ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e roteirista dos dois filmes Tropa de Elite, Rodrigo Pimentel diz que o Rio de Janeiro passa por um momento de “agora ou nunca” na reação à onda de violência dos últimos dias. “É um momento único na história do Rio de Janeiro”, diz otimista. Crítico da repressão violenta ao tráfico, ele defende as invasões de favelas e policiamento nas ruas que foram intensificadas desde os ataques que começaram no domingo (21).
Pimentel reforça a declaração do Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, para quem os ataques são uma reação de traficantes ao processo chamado de pacificação das favelas. As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) se instalaram de forma permanente em favelas da capital carioca e, para Pimentel, diminuíram o poder do tráfico. Um dos autores do livro Elite da Tropa, Pimentel e sua experiência no Bope inspiraram a criação do personagem capitão Nascimento, dos filmes. Lembrando de sua atuação na polícia, ele ressalta:
- Quando eu era da polícia, eu tinha a nítida sensação de estar enxugando uma pedra de gelo. Eu nunca fui otimista em 12 anos de polícia e hoje eu sou otimista… Se isso aí não fizesse parte de um pacote mais completo de segurança, eu diria que é a repetição de um ciclo que a gente já conhece. Mas não é isso.

Leia a entrevista na íntegra.

Terra Magazine – Você acha que esses ataques são coisa de “traficante emburrado”, como disse o Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame?
Rodrigo Pimentel – É evidente que é. As ações de terror que visam à promoção do medo e do pânico, de muita visibilidade e que não tem intenção nenhuma de lucro, são ações de terror. São ações de reação não só às UPPs, mas a toda a política de segurança pública do Estado. A UPP é, sim, o carro chefe, é o que está dando mais prejuízo para o bandido. Mas veja só… desde que o governador Sérgio Cabral assumiu, além da pacificação, tem também o encaminhamento de bandidos para fora do Estado. Tem ainda o indiciamento e investigação de familiares de presos. Os familiares que enriqueceram ilicitamente estão sendo investigados e denunciados pelo Ministério Público. Isso provoca no tráfico revolta. Todo mundo dizia que essa UPP era esquisita porque os bandidos não reagiam. Taí a prova de que não era nada esquisito. A UPP é realmente eficaz e tira o território do tráfico. A reação é essa aí…

As UPPs foram implantadas como um contraponto ao policiamento que combate o tráfico com mais violência. Mas aumentaram o policiamento nas ruas e as operações do Bope em favelas. A polícia divulgou nesta quarta que já foram mais de vinte mortos nessa reação aos ataques. Não corremos o risco de regredir?
É importantíssimo isso. Não é a volta da política de enfrentamento. Na verdade é uma consolidação da UPP. O governo do Estado persegue a pacificação como um caminho mais viável e mais inteligente como a única política de segurança pública do Estado – porque até então não havia nenhuma. Se existe uma reação dos traficantes a essa política de pacificação, é evidente que você tem que estancar essa reação. E para estancar essa reação, é operação em favela, sim!

Isso seria momentâneo?
Eu sempre fui um crítico desde tenente, de capitão… Eu sempre fui um crítico contundente da operação em favela. Eu sempre achei uma ação desnecessária e ineficaz, que não tinha o menor motivo. Porque você entrava na favela e saía. E aquilo não tinha fim nunca. Aí surge a UPP que entra na favela e permanece. De fato, funciona. Mas essa política de enfrentamento momentânea é para estabelecer e consolidar o processo de pacificação. Os marginais estão saindo de favelas já identificadas para efetuar pânico no Rio de Janeiro. Para queimar ônibus, matar pessoas… Então a polícia tem sim que invadir esses redutos e tomar esses traficantes. Tem que criar uma zona de desconforto para que eles não possam mais operar essas ações. Além de intensificar o policiamento nas ruas, a polícia tem que voltar às favelas e atacar esses redutos, esses sujeitos. Não tem jeito. É um caminho sem volta. É agora ou nunca. O Estado não pode ser refém, não pode se ajoelhar, não pode recuar um milímetro.

A população não sofre com isso?
Isso não é uma vontade do governo do Estado, não. É uma vontade da população. Todas as pessoas nas ruas estão solidárias às ações da polícia. Nós vamos viver no Rio de Janeiro nos próximos cinco ou seis dias, um pouco de medo, de estresse em sair à noite, de preocupação com o filho na escola. De “será que eu posso ir à faculdade porque a minha aula termina a noite?”. Nós vamos viver um desconforto nos próximos dias, mas se for isso o preço para que a política de pacificação funcione, que seja pago. Está muito claro que isso é um momento. Não é uma política para sempre. É um momento. A política é a pacificação. O que a gente está vivendo agora é um momento importante para a pacificação.

Isso não pode virar um ciclo de ataques de traficantes e reações mais ostensivas da polícia?
Não. Na queda de braço com o Estado, o Estado ganha. Com todos os traficantes que o Comando Vermelho dispõe no Alemão e no complexo da Penha, o Estado já provou que consegue entrar lá. Então, nessa queda de braço quem vai sair perdendo é o traficante. E perde várias vezes. Perde porque a Justiça já entendeu que ele não pode mais ficar no Rio. Ele é uma ameaça à sociedade cumprindo pena aqui. Ele perde em cumprir pena num lugar mais distante, perde em ter seu reduto atacado pela polícia… Sinceramente, eu sou otimista. Se isso aí não fizesse parte de um pacote mais completo de segurança, eu diria que é a repetição de um ciclo que a gente já conhece. Mas não é isso.

Sobre a prisão em outros Estados, o secretário Beltrame informou que há indícios de que a ordem para os ataques tenha vindo do traficante Marcinho VP, de um presídio no Paraná…
Sim, você tem ataques que vieram do Paraná. Mas vieram em função de prerrogativas que os presos possuem no Brasil, de visita a vítimas, acesso a advogados e tal. Uma forma punitiva para eles agora é que eles sejam retirados do Paraná e sejam enviados a um presídio mais longe. Nesse intervalo, eles vão perder semanas de acesso a advogados e a familiares. E isso já descordena as ações reativas desses bandidos.

As UPPs estão instaladas, em sua maioria, na Zona Sul enquanto que investigações apontam que esses ataques estão vindo de outras regiões, da Zona Norte. O processo de pacificação não precisa ser expandido?
É. A UPP começou na região hoteleira da cidade, na região mais nobre e que tem potencial turístico. E isso é evidente em qualquer lugar do mundo. Não é privilégio para os ricos, até porque a UPP beneficia ricos e pobres. A UPP começou na região de Ipanema, Copacabana e Leme. Depois ela foi expandida. Ela já chegou, sim, à Zona Norte. Toda a região da grande Tijuca – que é um bairro de classe média – já está pacificada. E agora ela avança para uma região mais pobre. Já começou no Morro do Macaco, já entrou para o Morro do São João e está caminhando para o Morro da Matriz. Ela já está avançando para uma região… Agora, está longe do subúrbio da Leopoldina ainda, que é essa região que estamos falando da Penha. Está longe, mas ela vai chegar lá. Tanto vai chegar que a reação do bandido é em função disso. É o medo da aproximação da UPP do seu domínio territorial.

Entendo…
Deixa eu falar uma coisa. Eu nunca na minha vida deixei de criticar a política de segurança pública. Eu cheguei onde cheguei onde cheguei – no filme Tropa de Elite, no livro Elite da Tropa – porque cheguei criticando. Mas esse momento que eu vivo hoje da minha vida é um momento único na história do Rio de Janeiro. Eu não tenho nenhuma ligação partidária com o Sérgio Cabral. A gente tem que fazer uma opção: Essa porra tem que dar certo! Se isso não der certo minha amiga… Nós já testamos vários remédios e nada funcionou. O que a gente não testou ainda é a ocupação territorial permanente. Estamos testando e está funcionando. É necessário.

Já que você destaca esse seu posicionamento crítico, o que mudou desde o seu tempo na polícia?
Quando eu era da polícia, eu tinha a nítida sensação de estar enxugando uma pedra de gelo. A gente matava bandido e invadia favela sem ter uma luz no fim do túnel de melhora. Hoje em dia, fora da polícia, eu vejo com muito otimismo o futuro do Rio de Janeiro. Então essa é a melhor mudança. É o otimismo. Eu nunca fui otimista em 12 anos de polícia e hoje eu sou otimista. E olha que eu sou muito mais crítico agora do que eu era anteriormente.


Folha Mente?!

A FOLHA MENTE E ENGANA
A Folha "errou", mas só publicou o "erramos" após quinze dias, depois de desmascarada a manipulação pelo Ministro
A Folha como sempre,mente, inventa e engana. E quando é desmascarada na mentira, não pede desculpas. Escreve uma notinha. bem escondidinha, somente para o olhar mais atento do leitor que for assinante do jornal
A veja a notinha escondida na Folha, sobre o ministro Franklin Martins, que deveria ocupar manchete de capa, como foi publicado a mentira
O ministro Franklin Martins (Comunicação Social) afirmou ontem que a Folha distorceu a sua fala no encontro sobre convergência de mídias, promovido por sua pasta.
"A Folha botou na primeira página que eu tinha dito num tom quase arrogante algo como "vai haver controle", "com consenso ou sem consenso'", disse.
No dia 10, a chamada "Governo diz que vai regular mídia mesmo sem consenso", publicada na Primeira Página, dizia que o ministro "afirmou que o governo está disposto a levar adiante a discussão de novas regras para o setor de mídia digital mesmo sem entendimento".
Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha e participante do seminário, disse ao ministro que, se ele considera ter havido erro, o jornal o convida a escrever artigo ou a dar uma entrevista. Na verdade, a Folha não errou. O ministro disse o que foi publicado.
A Folha mente...
O jornal Folha de São Paulo interpretou, de forma equivocada, os objetivos do seminário sobre convergência de mídias..Ou seja, a Folha, quer a imprensa livre, mas sem perder o comando.

Fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/