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domingo, 6 de fevereiro de 2011

EUA e Hosni Mubarak

Vejam como funciona o regime que Washington sustentou por 30 anos
do Viomundo por Luiz Carlos Azenha
São aquelas coisas que acontecem só de vez em quando. De manhã, no New York Times, testemunhos devastadores contra o regime de Hosni Mubarak, no Egito. À tarde, a decisão dos Estados Unidos de apoiar a transição com Omar Suleiman, o espião que coordenou as “extraordinary renditions”, sequestros de suspeitos praticados pelos Estados Unidos, entregues em seguida para tortura em vários países, inclusive no Egito. Ou seja, a ideia de Washington agora parece ser a de fazer a transição com Hosni Mubarak.
Leiam o texto publicado no Times, que revela os bastidores do regime que os Estados Unidos pretendem preservar, em defesa de seus próprios interesses e dos interesses de Israel:
February 4, 2011
Dois repórteres detidos viram os métodos da polícia secreta em primeira mão
By SOUAD MEKHENNET and NICHOLAS KULISH
CAIRO
Nós fomos detidos por autoridades egípcias , entregues à temida Mukhabarat, a polícia secreta, e interrogados. Eles nos deixaram à noite em uma sala fria, em bancos de plástico laranjas, sob luzes fluorescentes.
Mas nosso desconforto não foi nada em comparação com as pancadas e os gritos de dor de egípcios que quebravam o silêncio da noite. Em um caso, entre os gritos de sofrimento, um policial disse em árabe, “Você está conversando com jornalistas? Você está falando mal de seu país?”
Uma voz, também em árabe, respondeu: “Você está cometendo um pecado. Você está cometendo um pecado”.
Nós — Souad Mekhennet, Nicholas Kulish e um motorista, que não é jornalista e não estava envolvido em manifestações — fomos detidos na tarde de quinta-feira enquanto dirigíamos no Cairo. Fomos parados numa barreira policial e assim começou nossa jornada de 24 horas através da detenção egípcia, terminando com — assim nos disseram os soldados que nos deixaram lá — a polícia secreta. Quando perguntados, eles se negaram a se identificar.
A prisão foi terrível. Nós nos sentimos sem poder — incertos sobre onde e por quanto tempo ficaríamos presos. Mas a pior parte não teve nada a ver com nosso tratamento. Foi ver — e particularmente ouvir através das paredes deste lugar apavorante — o abuso de egípcios nas mãos de seu próprio governo.
Por um dia, estávamos presos num labirinto brutal onde egípcios ficam perdidos por meses ou mesmo anos. Nossa detenção deixou claros os abusos dos serviços de segurança, da polícia, da polícia secreta e dos serviços de inteligência, e ajuda a explicar porque eles figuraram nas reclamações feitas pelos manifestantes [que querem derrubar Mubarak].
Muitos jornalistas também viveram essa experiência e muitos ficaram em piores condições — alguns deles sofrendo ferimentos.
De acordo com o Comitê para Proteger Jornalistas, no mesmo período em que ficamos detidos houve a detenção de 30 jornalistas, 26 ataques [a jornalistas] e 8 casos de equipamentos apreendidos. Vimos um jornalista com um curativo na cabeça e outros com a cabeça coberta, trazidos por homens armados.
De manhã, pudemos ouvir a voz de um homem com um sotaque francês dizendo em inglês: “Onde estou? O que está acontecendo comigo? Responda. Responda”.
Isso nos levou a agir — pressionando por nossa libertação com urgência e na verdade com mais medo que antes. Um oficial não fardado, que disse se chamar Marwan, fez um gesto. “Venham até a porta”, ele disse, “e olhem”.
Vimos mais de 20 pessoas, ocidentais e egípcios, algemados e com os olhos vendados. O lugar estava vazio quando chegamos, na noite anterior.
“Poderíamos tratar vocês muito pior”, ele disse sem tensão na voz, deixando que os fatos falassem por si. Marwan disse que milhares de egípcios estavam presos. Durante a noite nós ouvimos quando eles eram espancados, quando gritavam depois de cada golpe.
Nós tínhamos voltado ao Cairo depois de cobrir as manifestações em Alexandria para o Times. Estávamos viajando com jornalistas da emissora pública alemã ZDF, uma prática normal nessas condições — segurança garantida pelo número [de viajantes].
Nas cercanias do Cairo, fomos parados no que parecia uma barreira policial civil.
Tínhamos passado por várias barreiras sem problemas, mas depois que o motorista abriu o porta-malas uma tremenda comoção começou. Eles viram uma grande mala com um microfone laranja da ZDF para fora. No ambiente tenso, equipes de TV tinham sido atacadas e acusadas de criar propaganda anti-egípcia. Tínhamos estado no meio de uma confusão com a mesma equipe no dia anterior.
A multidão gritava e batia no automóvel, abrindo as portas. A equipe da ZDF, que estava em outro carro, conseguiu escapar, mas ficamos presos. Em vez de nos tirarem do carro como esperávamos, dois homens entraram no assento traseiro. Ficamos aliviados porque eles estavam nos levando para longe da multidão, até que um deles mostrou sua identificação de policial. Em vez de nos ajudar a escapar, ele estava nos detendo.
O policial deu ao motorista instruções para chegar a uma delegacia de polícia improvisada no distrito de Sharabiya, no Cairo, no segundo andar de um depósito de madeira. O oficial encarregado, que se identificou como Ehab, disse que eram da polícia secreta.
Eles olharam nas malas da ZDF e encontraram mais que uma câmera. “Temos uma mulher de origem árabe com um passaporte alemão e um americano em um automóvel com uma câmera, equipamento de satélite e dez mil dólares”, ele disse. “Isso é muito suspeito. Acho que precisamos checá-los”.
A ansiedade se tornou expectativa quando fomos levados para uma base militar. Os militares são a coisa mais próxima no Egito de uma garantia de estabilidade e pensamos que uma vez explicado quem éramos e mostrada a documentação seriamos autorizados a voltar para o hotel.
Numa conversa estranha, que só fez sentido mais tarde, a srta. Mekhennet perguntou a um soldado, “onde vocês estão nos levando?”. O soldado respondeu: “Sinto muito por vocês. Desculpem”.
Depois de levados para várias outras bases, fomos informados de que seríamos entregues à Mukhabarat em seu quartel-general da Nasr City.
Já caia a noite quando eles nos fizeram tirar tudo do carro. Tudo foi listado, das meias à água ao maço de 50 notas de 100 dólares. Nossos telefones, câmeras e computadores foram confiscados.
Fomos levados para salas separadas com as paredes cobertas por almofadas de couro marrom e interrogados individualmente. O interrogador do sr. Kulish falava inglês perfeitamente e brincou a respeito do seriado de TV “Friends”, mencionando que tinha vivido na Flórida e no Texas.
O Mukhabarat tem um relacionamento de trabalho com a inteligência estadunidense, inclusive com o assim chamado programa de rendição da CIA, de transferência de prisioneiros. Durante o interrogatório, um homem que estava sendo espancado por perto — o som doentio variava entre um baque e um tapa. Entre os gritos dele deu para ouvir um grito em árabe, “você é um traidor, trabalhando para estrangeiros”.
Os jornalistas egípcios tinham mais liberdade que os de outros estados policiais da região, mas a polícia secreta sempre ficou de olho tanto nos jornalistas quanto em suas fontes. Quando os protestos se tornaram mais violentos, uma campanha de intimidação contra jornalistas e os egípcios que falavam com eles se tornou aparente. Nós aparentemente ficamos no meio disso.
A srta. Mekhennet perguntou a seu interrogador, “onde estamos?”. Ele respondeu: “Em lugar nenhum”.
Fomos encapuzados e levados para um quarto vazio, onde passaríamos a noite. Na tarde seguinte seríamos colocados em cadeiras plásticas laranjas. Os gritos que ouvimos da tortura tornaram praticamente impossível pensar.
Não sofremos abusos físicos. A srta. Mekhennet explicou que tinha passado mal e um homem apareceu com um medidor de pressão, mas ela rejeitou a oferta de ajuda. Um policial deu a cada um de nós uma Pepsi e um pequeno pacote de biscoitos. Já passava das dez da noite, não tínhamos comido desde o café da manhã, mas a gritaria instantâneamente acabou com nosso apetite.
Fomos informados de que seríamos libertados de manhã e a partir das 6 horas da manhã começamos a pedir repetidamente nossa libertação.
Marwan apareceu por volta das 11 da manhã. Ele ficou claramente irritado com nossos pedidos, reclamando que milhares de civis egípcios estavam detidos. Ele não gostou de nossa sensação de que teríamos algum tipo de privilégio.
Foi quando abriu a porta e mostrou nossos colegas de outros órgãos da mídia internacional algemados e vendados. Ele disse que estava exausto, mas que iria procurar nossos celulares e computadores.
Cerca de uma hora depois, nossos pertences foram devolvidos. Nosso maior medo, de que o motorista inocente fosse mantido preso para “processamento”, não se tornou realidade.
Saímos juntos, com sensação de culpa quando vimos nossos colegas com os olhos vendados e feridos, e mais gente chegando presa, trazida por guardas com coletes à prova de bala e fuzis de assalto.
“Vamos para o hotel?”, perguntamos.
“Isso você não pode saber”, um guarda respondeu.
Os policiais nos colocaram em nosso carro e mandaram que ficassemos com a cabeça baixa. “Olhem para baixo e não falem. Se olharem para cima verão algo que nunca gostariam de ter visto”.
Eles nos deixaram esperando por dez minutos. Os únicos sons eram de armas sendo carregadas e checadas e de fita crepe sendo arrancada.
Um interrogador apareceu e perguntou a nosso motorista, “o que você fazia na praça Tahrir?” O motorista respondeu que não tínhamos estado lá. O interrogador disse ao motorista, “você é um traidor de seu país”.
Em árabe, a srta. Mekhennet, uma cidadã alemã com raízes árabes, disse seguidamente ao interrogador que nós éramos jornalistas do New York Times. “Você veio até aqui para fazer este país parecer ruim”, o interrogador disse.
Fomos informados de que poderíamos dirigir nosso carro, mas sob a escolta de um homem armado. Novamente, fomos orientados a olhar para baixo.
Finalmente, depois de um tempo, o homem que fazia nossa escolta ordenou que o motorista parasse o carro, saiu e disse “podem ir”.
O motorista começou a gritar “Alhamdulillah” ou “graças a Deus”. Olhamos em volta e descobrimos que estávamos sós no meio de Cairo, mas longe dos protestos, no meio do tráfego normal, que seguia lentamente.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Acusações de Estupro

O tapa na cara das mulheres estupradas
Em outras palavras: nunca, em vinte e três anos de relatos e apoio a vítimas de violência sexual ao redor do mundo, eu alguma vez ouvi dizer do caso de um homem procurado por duas nações, e mantido em confinamento em uma solitária, sem fiança, antes de ser questionado -- por qualquer estupro alegado, mesmo o mais brutal ou facilmente provado. Em termos de um caso envolvendo os tipos de ambiguidades e complexidades das queixas das supostas vítimas -- sexo que começou consensualmente, e alegadamente tornou-se não-consensual quando surgiu a disputa sobre uma camisinha -- por favor encontre para mim, em qualquer lugar do mundo, outro homem hoje na prisão sem fiança por acusações de qualquer coisa comparável.
[...] para todas as dezenas de milhares de mulheres que foram sequestradas e estupradas, estupradas sob a mira de uma arma, estupradas com objetos pontiagudos, espancadas e estupradas, estupradas enquanto crianças, estupradas por familiares -- que ainda estão esperando o menor suspiro da justiça -- a reação nem um pouco usual da Suécia e da Inglaterra a essa situação é um tapa na cara. Ela parece mandar a mensagem às mulheres no Reino Unido e na Inglaterra de que se você alguma vez quiser que alguém leve a sério um crime sexual contra você, é melhor que você se certifique de que o homem que você acusa também causou embaraços ao governo mais poderoso da terra.
-- Naomi Wolf, no BoingBoing

PS - Você pode se interessar pela postagem Carta das Mulheres Contra o Estupro sobre a prisão de Assange.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Wikileaks e a ameaça ao Imperialismo

William Waak (Globo) disse em fórum empresarial durante campanha presidencial que Dilma não é competente
Atendendo aos pedidos, segue uma breve apresentação sobre o que é o wikileaks e o porque de toda essa preocupação dos 'gigantes' em calá-lo
O que são os Wikileaks:
O mundo inteiro tem falado sobre a polêmica dos WikiLeaks. Você sabe o que é isso? Trata-se de um site onde o seu dono publica documentos confidenciais que vazaram. Lá tem milhares de documentos da embaixada dos EUA, como sobre os crimes no Afeganistão e no Iraque.
O problema é óbvio, uma vez que, conforme Renato Pompeu à Caros Amigos, comprova “a onipresença da rede de informações do Império norte-americano, a arrogância de seus diplomatas, a subserviência dos funcionários dos governos de outros países aos Estados Unidos.”
Leia a reportagem abaixo e tire as suas próprias conclusões sobre o tema! Para aqueles que insistem em negar que haja um Imperialismo Yanke, os WikiLeaks são a prova definitiva. Os bastidores do poder estão à nu.

WikiLeaks: a embaixada americana acreditou na mídia
Por Adhemar João da Silva
Sobrou até para o Willian Waak a última divulgação sobre o Brasil da Wikileaks.
Wikileaks Brasil - Natália Viana

Dilma Roussef na Saúde e na Doença
Não foi só a saúde da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que foi alvo da curiosidade do governo americano. A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, também teve detalhes do seu estado de saúde investigados pela embaixada americana em meados do ano passado, quando sofreu de câncer linfático.
Documentos publicados hoje pelo WikiLeaks também revelam que o ex-embaixador americano em Brasília, John Danilovich, relatou que ela havia planejado três assaltos quando era integrante da organização VAR-Palmares.
Dilma Rousseff nega qualquer participação em ações armadas durante o regime militar.
Ao todo, o WikiLeaks publica hoje 9 documentos que mostram como a representação americana acompanhou de perto a trajetória de Dilma e o processo eleitoral brasileiro – que, aliás, a própria Hillary Clinton classificou de “bizantino”.

Joana D´Arc
Dilma Rousseff começou a chamar a atenção da embaixada quando tomou posse como Ministra-Chefe da Casa Civil. Um relatório especial a seu respeito foi elaborado e enviado em 22 de maio de 2005. Apesar de “não classificado”, o telegrama traz uma porção de temas sensíveis e algumas gafes. Um dos títulos é, por exemplo, “Joana D’Arc da Subversão se torna Chefe da Casa Civil” – uma referência à alcunha dada pelos agentes da repressão.
O documento afirma que ela teria planejado o “legendário” roubo ao cofre do corrupto prefeito de São Paulo, Adhemar de Barros, no qual a VAR-Palmares obteve 2,5 milhões de dólares.
“Integrando vários grupos clandestinos, ela organizou três assaltos a banco e depois co-fundou o grupo guerrilheiro Vanguarda de Palmares”, diz. Dilma sempre negou qualquer participação em ações armadas.
O documento escrito pelo embaixador John Danilovich observa que ela foi presa por mais de três anos e torturada de forma “brutal” com eletrochoques.
A seguir, entra em detalhes pessoais ao estilo de uma revista de celebridades: “Ela tem uma filha, Paula, em Porto Alegre, onde passa os fins-de-semana. Gosta de filmes e música cássica. Perdeu peso recentemente após ter adotado a dieta do presidente Lula”.
O documento diz ainda que Dilma é vista como “cabeça-dura, uma negociadora difícil e detalhista” e revela que as empresas americanas tiveram receio quando ela se tornou ministra de Minas e Energia, mas “agora admitem que ela fez um trabalho competente”.

Rumo à eleição
O assessor da embaixada em Brasília, Phillip Chicola, relatou a Washington que Dilma Rousseff aumentou muito as suas chances de ser a candidata do PT depois da sessão no Senado em 7 de maio de 2009.
Dilma foi chamada para explicar o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e acabou tendo que explicar o escândalo do vazamento de informações dos cartões de crédito do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Logo no começo, o senador do DEM José Agripino Maia perguntou como deveriam acreditar nela, já que ela havia mentido quando interrogada pelos militares.
Nas palavras de Chicola, “a performance de Rousseff perante o comitê poderia ter prejudicado ou afundado suas chances presidenciais, se tivesse ido mal”. Mas Jose Agripino Maia “mancou feio” ao fazer a pergunta.
“Rousseff respondeu que foi brutalmente torturada pelos militares e tinha orgulho de ter mentido sob tortura porque isso salvou as vidas de outros que lutavam contra a ditadura. Com essa resposta dramática e inquestionável, Rousseff permaneceu no controle durante a maior parte da sessão”, diz o telegrama.

Câncer
Em outro relatório, enviado em 20 de julho de 2009, a diplomata Lisa Kubiske comenta o aumento de Dilma nas pesquisas apontando como consequência da sua visibilidade nas obras do PAC e da sua luta contra o câncer.
“Enquanto Rousseff continuar parecendo uma lutadora que venceu o câncer, suas chances presidenciais vão aumentar”, diz ela.
O estado de saúde de Dilma já havia sido tema de um extenso relatório enviado a Washington em 19 de junho, sob o título “Quão doente está Dilma Rouseff?”.
Nele, o embaixador Clifford Sobel relata as informações coletadas em conversas sobre a saúde da futura presidente, incluindo detalhes sobre o câncer linfático do qual ela sofria.
“Seus médicos afirmam que o câncer foi diagnosticado cedo e ela tem 90% de chance de se recuperar totalmente. Ela tinha nódulos linfáticos debaixo do braço esquerdo e começou um programa de um mês de quimioterapia em abril. Em maio, foi hospitalizada emergencialmente com dores nas pernas, o que foi atribuído à interrupção abrupta de medicamentos associados à quimioterapia. Os médicos dizem que ela vai reduzir esses remédios para evitar uma recaída”, diz o telegrama.
“No começo de junho ela havia completado três sessões de quimioterapia. Em uma reunião no dia 18 com um visitante de Washington, Rouseff parecia bem, com boa cor natural e pouca maquiagem, e um assessor disse ao embaixador que Rousseff estava respondendo tão bem à quimioterapia que suas sessões deveriam ser reduzidas de seis para quatro”.
No documento, Sobel especula sobre as consequências da doença da pré-candidata. Dilma poderia estar bem mais doente do que foi revelado publicamente, o que seria pouco provável. Outra possibilidade seria a doença piorar, inviabilizando sua candidatura. Finalmente, Dilma poderia reagir bem à quimioterapia e se recuperar do câncer. O embaixador via essa possibilidade como a mais provável – foi o que acabou acontecendo.
“Alguns analistas notaram que uma ‘vitória’ sobre o câncer jogará a seu favor e impulsionará a imagem de uma lutadora e vencedora. Mas se ela parecer fraca e derrotada, os eleitores vão minguar”.
Caso de Dilma não pudesse mais ser a candidata, Sobel faz outra uma lista de cenários possiveis.
No primeiro, o candidato do PT seria Antônio Palocci ou Gilberto Carvalho. No segundo, Aécio Neves se mudaria para o PSB ou o PV e poderia ser o candiato com apoio petista. E finalmente, Sobel reproduz especulações sobre um terceiro mandato de Lula, ouvidas em especial do deputado federal PPbista George Hilton.
“A doença de Rousseff mostrou uma vulnerabilidade do PT que não existia alguns anos atrás, quando podia indicar diversos governadores e congressistas como estrelas do partido. Essas estrelas por uma razão ou por estão apagadas e o partido adotou Dilma Rousseff, a escolhida de Lula, seu maior líder, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, conclui Sobel.

Jornalistas
A embaixada acompanhou com informes regulares a contagem regressiva para a campanha eleitoral. Em outubro de 2009, a conselheira Lisa Kubiske já arriscava palpites sobre o pleito brasileiro. Um telegrama confidencial do dia 21 alertava Washington: “fiquem ligados!’
Nele, Kubiske dizia que o resultado dependeria da capacidade de Lula de transferir sua popularidade a Dilma, “ao mesmo tempo permitindo que ela se distingua como uma figura presidencial viável”.
Kubiske aponta em diversos telegramas a “falta de carisma” de Dilma.
Em fevereiro de 2010 ela conta que Dilma encostou em Serra nas pesquisas, e descreve a opinião de diversos jornalistas consultados pela representação americana.
“Os críticos mais ferrenhos de Rousseff frequentemente enfatizam que a campanha na TV e os comícios vão matar a sua candidatura”, afirma Kubiske, citando o apresentador da Globo William Waack.
Waak teria dito que em um fórum com empresários, Aécio Neves teria se mostado “o mais carismático”, Ciro Gomes “o mais forte”, Serra “claramente competente” e Dilma “a menos coerente”.
“Outros críticos usam um argumento mais sutil, dizendo de maneira racional que o desejo do Brasil por continuidade depois de anos de progresso na verdade beneficia Serra, visto como mais provável a seguir o caminho econômico iniciado por Cardoso e seguido por Lula”, escreveu Kubiske.

Bizantino
Os relatórios enviados pela embaixada americana em Brasília sobre as eleições foram muito apreciados em Washingon. Em um telegrama de 23 de abril de 2009, Clinton agradece pelo informe “estelar” sobre o candidato do PSDB José Serra.
Em outro telegrama, datado de 24 de julho, Clinton explica que as informações sobre Dilma foram usadas em reuniões de “briefing” com o alto escalão do governo dos EUA, inclusive o secretário do Tesouro Timothy Geithner. Hillary finaliza agradecendo o assessor para assuntos políticos Dale Prince por esclarecer sobre o sistema político brasileiro, “frequentemente bizantino”.

Fonte: Blog do Nassif

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Wikileaks X Donos do Mundo

Não deu no Jornal Nacional: autora de queixa contra Assange escreveu manual de vingança sexual em blog

"Uma cidadã cubana que acusa o jornalista australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks, de "crimes sexuais" na Suécia foi apontada como "colaboradora" da CIA e teria planejado o caso, segundo a rede de TV venezuelana TeleSur. No início do ano, ela mesma divulgou na internet um "guia para se vingar" de alguém usando denúncias de abusos sexuais.

Opera Mundi
De acordo com as informações publicadas nesta terça-feira (7/12), a cubana Anna Ardin (cujo nome real seria Ana Bernardín) teria sido uma das primeiras a denunciar Assange por "abuso sexual" à polícia, junto à amiga sueca Sophia Wilén.
A queixa, porém, seria relativa ao fato de Assange, supostamente, não ter utilizado camisinha durante as relações sexuais que teria tido com elas, enquanto Ardin dormia em sua resisidência em Estocolmo. Além disso, Ardin e Wilden denunciaram Assange por ter mantido relações sexuais com as duas na mesma semana - o que, na Suécia, é ilegal.
De acordo com a versão apresentada, no dia 11 de agosto deste ano, Assange teria ido à Suécia a convite do movimento de centro-esquerda Broderskap ("fraternidade" em sueco, ligado ao Partido Social-Democrata Cristão) para participar de um seminário. Na ocasião, segundo Ardin, ela própria ofereceu sua casa para hospedar o fundador do Wikileaks, já que ela estaria fora da cidade. Ardin, porém, voltou antes do previsto, mas mesmo assim hospedou Assange em casa. Segundo ela, em uma das noites após jantarem juntos, tiveram relações sexuais com camisinha, que chegou a rasgar.
No dia seguinte, ao final do seminário, Assange teria seduzido Sophia Wilén, com quem também teria feito sexo, na cidade de Enkoping, onde ela mora. De acordo com Wilén, ela e Assange tiveram relações duas vezes, uma com e outras sem o uso de preservativos, em razão de uma recusa do fundador do Wikileaks.

leia a matéria completa AQUI

domingo, 5 de dezembro de 2010

América Latina contra as Drogas

Bolívia anuncia reunião com Brasil e Peru para coordenar luta antidrogas
O ministro do Interior boliviano, Sacha Llorenti, anunciou que se reunirá em breve com autoridades do Brasil e do Peru para coordenar ações contra o tráfico de drogas e o crime organizado, informou neste domingo (5/12) a agência de notícias boliviana ABI.
"Surgiu a iniciativa de realizar uma reunião trilateral entre os ministros da Justiça do Brasil e do Interior do Peru e da Bolívia para coordenar uma luta conjunta contra as atividades ilícitas", declarou Llorenti.
A proposta foi feita durante uma recente visita do titular do Interior boliviano ao Brasil, onde se reuniu com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e outras autoridades.
A data da reunião ainda não foi fixada, mas Llorenti espera que seja realizada o mais rápido possível, devido ao fato de que traficantes peruanos, segundo disse, utilizam a Bolívia como país de passagem para enviar droga ao Brasil.
"É importante que se consolide esse encontro trilateral para coordenar ações em matéria de combate ao narcotráfico e melhorar a troca de informação entre as forças antidrogas dos três países", concluiu.
As autoridades bolivianas anunciaram na semana passada o reforço da fiscalização na fronteira com o Brasil para evitar a entrada de traficantes após as operações que foram realizadas nas favelas do Rio de Janeiro.
Em 2010, a polícia boliviana prendeu 355 estrangeiros por tráfico de drogas, sendo 120 colombianos, 83 peruanos e 57 brasileiros.
fonte: Opera Mundi

Lula aplaudido por chefes Íbero-Americanos

Lula é aplaudido de pé por chefes de estados íbero-americanos
Durante a 20ª Cúpula Ibero-Americana, realizada na cidade argentina de Mar de Plata, ao ser homenageado pela anfitriã do encontro - a presidente Cristina Kirchner - o presidente Lula foi aplaudido de pé pelos outros líderes, como o rei da Espanha, Juan Carlos, e os presidentes do Peru, Alan García, e do Equador, Rafael Correa.
Foi sua despedida das reuniões internacionais, e o presidente improvisou em seu discurso e se emocionou:
“Não sou bom de despedidas, mas construí com vocês uma coisa nova na América Latina. Já não somos tratados como menores. Não vemos mais as pessoas brigarem por um trabalhador sem diploma universitário ter sido eleito no Brasil. Já não vemos mais brigas porque um índio foi eleito na Bolívia....
... Eu sou um político latino-americano, não vou deixar a política. Vou ter mais tempo para viajar, quero discutir política e os partidos”, afirmou Lula, com olhos marejados.
“Me esperem”, completou, ao dizer que vai continuar viajando pela América Latina.
Lula afirmou ainda que as mulheres também passaram a ocupar, nos últimos tempos, maior espaço no mundo da política, numa referencia à presidente argentina e a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff.
“Os homens que se cuidem porque as mulheres estão ocupando cada vez mais espaços. Logo, logo, os homens serão minoria aqui nessa mesa.”

Torturador
“Dilma é uma mulher que foi militante de esquerda, que foi acusada de guerrilheira, que ficou presa três anos e meio e foi torturada. O que me dá orgulho é saber que agora o torturador dela, se estiver vivo, estará sofrendo mais do que ela, sem que ela tenha feito nada para ele sofrer. É apenas o remorso de quem torturou uma jovem que queria democracia no Brasil”, afirmou o presidente.
No discurso, improvisado, Lula afirmou que a democracia na região está consolidada, mas é preciso estar alertas para que sejam evitadas crises como a que o Equador viveu recentemente.
Na ocasião, o presidente Rafael Correa disse ter sido alvo de uma tentativa de golpe liderada por policiais.
“Em 2005 eu fui vitima da mais sórdida campanha. O objetivo era enfraquecer o governo, para provar que um trabalhador não podia governar”, afirmou.
Ao falar sobre o ex-presidente da Argentina, Néstor Kirchner (que morreu em outubro), Lula disse que “o corpo vai, mas as idéias ficam”.
Lula disse que o Brasil vai continuar no mesmo caminho da política externa de maior integração com os países da América Latina. E agradeceu “do fundo do coração a todos os companheiros e companheiras” porque aprendeu muito.
Na homenagem a Lula, Cristina disse que ele “nunca deixará a política” e que ele é um homem de convicções. Cristina lhe entregou uma réplica em ferro de uma foto de Lula e de Kirchner abraçados.
fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com, (Com informações da BBC Brasil)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

WIKILEAKS, censura na Rede

Lieberman introduz uma legislação anti-WikiLeaks
Amazon cria polêmica ao expulsar WikiLeaks de seus servidores
Ativistas, jornalistas e blogueiros advertiram nesta quinta-feira, 2, que a decisão da Amazon de expulsar o WikiLeaks de seus servidores coloca em perigo a liberdade na Rede e pediram para a empresa americana explicar se sucumbiu a pressões políticas.
A Amazon deixou de hospedar o WikiLeaks após receber pedidos do Comitê de Segurança e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA, presidido por Joe Lieberman, o que fez com que o site ficasse fora de serviço na maior parte do dia antes de retornar a seu provedor sueco Bahnhof.
A página do WikiLeaks foi vítima de ataques sistemáticos desde que no domingo, 28, começou
a divulgar documentos diplomáticos confidenciais americanos, que deixaram a política externa do país em péssima situação.
A organização pediu nesta quinta-feira a seus seguidores no Facebook que boicotem a Amazon mediante uma foto na rede social do senador Lieberman: "Boicotem a Amazon por ajudar Liberman a censurar o WikiLeaks", diz um texto sobre a fotografia. O senador Joseph Lieberman e outros legisladores apresentaram, também na quinta-feira uma lei que torna crime federal para qualquer um publicar o nome de uma fonte de inteligência dos EUA, em um golpe direto no site WikiLeaks. "A divulgação recente pelo Wikileaks de milhares de links do Departamento de Estado
e de outros documentos é apenas o mais recente exemplo de como os interesses de segurança nacional, os interesses de nossos aliados, e à segurança dos funcionários do governo e inúmeras outras pessoas são postas de lado pela causa da liberação ilegal de informações classificadas e sensíveis ", disse Lieberman em um comunicado por escrito. "Esta legislação vai ajudar a fazer dessas pessoas criminalmente responsáveis, que põem em perigo as fontes de informações que são vitais para proteger nossos interesses de segurança nacional", continuou ele.
A chamada Lei da SHIELD (Protegendo a Inteligência Humana e Cumprimento Legal Divulgação) iria alterar uma seção da Lei de Espionagem , que já proíbe a publicação de informações classificadas da criptografia de segredos de inteligência dos EUA ou de comunicação no exterior - isto é, das escutas telefonicas. O projeto de lei estende a proibição de informações sobre a 'HUMINT' - a inteligência humana - que torna crime a publicação de informações "sobre a identidade de uma fonte de classificados ou informante de um elemento da comunidade de inteligência dos Estados Unidos", ou "sobre a inteligência humana a cerca de atividades dos Estados Unidos ou em qualquer governo estrangeiro "se essa publicação é prejudicial aos interesses dos EUA. Vazamento de tais informações em primeiro lugar já é um crime, portanto, a medida visa diretamente para as editoras.
Lieberman ataca o WikiLeaks com uma fúria descomunal, pressionando a Amazon e fazendo as ameaças tornarem-se uma linha a mais na lista negra da organização, na sequência dos vazamentos desta semana.
Lieberman estende esta solução proposta para o WikiLeaks que pode ter implicações para os jornalistas informarem sobre algumas das práticas mais repugnantes da comunidade de inteligência. Por exemplo, o ex-ditador panamenho Manuel Noriega foi um trunfo da CIA paga. Ser informante agora será um crime?
Uma coisa que o projeto não vai fazer é colocar o WikiLeaks, ou o fundador Julian Assange, em perigo sob um novo regime jurídico sobre o "Cablegate" - a liberação de um banco de dados sobre a guerra do Afeganistão, ou a organização de outras recentes vazamentos de alto escalão. Isso porque a Constituição impõe a proibição total de post passados sobre os fatos das leis penais.
O WikiLeaks começou a ganhar visibilidade em relação às fontes de inteligência dos EUA quando publicou um registro detalhado e principalmente de classificados de 77.000 eventos na guerra liderada pelos EUA no Afeganistão em julho passado. Embora tenha tomado algumas medidas para manter sigilo sobre os nomes dos informantes, alguns dos registros publicados no entanto continha os nomes dos informantes afegãs, a quem o Pentágono e várias ONGs têm dito fazem represália potencialmente mortal do Taleban. Meses depois, porém, houve denúncias não confirmadas de que ninguém vinha a ser prejudicado por este vazamento. O WikiLeaks foi mais cauteloso com a entrada de 400.000 registros da guerra do Iraque publicados em outubro, usando um script automatizado para reter nomes do banco de dados. E com o quarto de milhão de links do Departamento de Estado, o WikiLeaks libera cerca de 80 documentos por vez, e, aparentemente, purga manualmente os nomes das fontes dos EUA. Mas nesta quinta-feira um político alemão admitiu que ele tinha passado informações confidenciais a diplomatas dos EUA , depois de um link WikiLeaks o descrevendo e colocando sob ameaça a identidade anônima deste informante, o que desencadeou uma caça de sua identidade.