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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Acusações de Estupro

O tapa na cara das mulheres estupradas
Em outras palavras: nunca, em vinte e três anos de relatos e apoio a vítimas de violência sexual ao redor do mundo, eu alguma vez ouvi dizer do caso de um homem procurado por duas nações, e mantido em confinamento em uma solitária, sem fiança, antes de ser questionado -- por qualquer estupro alegado, mesmo o mais brutal ou facilmente provado. Em termos de um caso envolvendo os tipos de ambiguidades e complexidades das queixas das supostas vítimas -- sexo que começou consensualmente, e alegadamente tornou-se não-consensual quando surgiu a disputa sobre uma camisinha -- por favor encontre para mim, em qualquer lugar do mundo, outro homem hoje na prisão sem fiança por acusações de qualquer coisa comparável.
[...] para todas as dezenas de milhares de mulheres que foram sequestradas e estupradas, estupradas sob a mira de uma arma, estupradas com objetos pontiagudos, espancadas e estupradas, estupradas enquanto crianças, estupradas por familiares -- que ainda estão esperando o menor suspiro da justiça -- a reação nem um pouco usual da Suécia e da Inglaterra a essa situação é um tapa na cara. Ela parece mandar a mensagem às mulheres no Reino Unido e na Inglaterra de que se você alguma vez quiser que alguém leve a sério um crime sexual contra você, é melhor que você se certifique de que o homem que você acusa também causou embaraços ao governo mais poderoso da terra.
-- Naomi Wolf, no BoingBoing

PS - Você pode se interessar pela postagem Carta das Mulheres Contra o Estupro sobre a prisão de Assange.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Manifestação contra preconceito em Bauru

AS FUMAÇAS DO PRECONCEITO

Estamos na Semana de Luta contra as Opressões. Dia 20, Dia da Consciência Negra, dia 22, Revolta das Chibatas, dia 25, Dia Nacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Quando penso no preconceito, imagino-o como uma fumaça que nos envolve, nubla nossos olhos, impedindo que vejamos o quanto os outros são humanos, como nós e, finalmente, nos intoxica. Mas os exploradores de pobres, mulheres, negros, nordestinos,palestinos, haitianos, homossexuais só se utilizam desses rótulos para oferecer empregos como quem concede um favor e justificar salários mais baixos.
A fumaça é sutil e penetra os ambientes discretamente. O machismo e o racismo sussurram a discriminação em nossos ouvidos,como ecos das piadas, das restrições “em nome do amor”, nos apelidos, nas brincadeiras. Não tarda, nos deparamos com
“rodeios de mulheres” em escolas, com espancamentos nos lares respeitáveis e diferenciação de salário nas empresas idôneas e socialmente responsáveis. A opressão escandalosa das surras, das ofensas morais,da superexploração é facilmente identificável e repreensível socialmente. Ela é alvo das propagandas, na mesma mídia televisiva que expõe mulheres como corpos e faz humor com a condição sexual ou étnica de pessoas. Entretanto, aquela violência contra a mulher, o homossexual ou o negro que humilha e lhes rouba a dignidade cotidianamente é quase intangível, como a fumaça. Por isso, ainda há muito o que discutir e denunciar. Hoje, às 16h, a CSP Conlutas distribuirá panfletos na esquina da rua 13 de Maio com a rua Batista de Carvalho, estimulando a discussão sobre esse tema na sociedade bauruense e convida a comunidade bauruense a se manifestar contra o preconceito, essa justificativa mórbida para a superexploração do homem pelo homem.
(Áurea Costa - CSP Conlutas - Regional Bauru)- Tribuna do Leitor, Jornal da Cidade, Bauru, 25/11/2010